Vida de Peão


Sou boiadeiro. Sou homem rude e destemido; Percorri todo esse chão, tocando boiada e fazendo amigos. Em minha trajetória, sempre lutei contra a injustiça e a maldade; Só não tive competência, para encontrar felicidade. Toquei boiada para todo lado; Vi caatinga, pantanal e cerrado. O meu colchão era a relva macia; Meu cobertor era o céu estrelado. Nas noites frias fazia fogueira; E a peonada se ajuntava em volta da viola. E nessa hora o coração doía... Doía a dor de uma saudade que eu não sabia do que era. Mas quando o sol despontava, a labuta continuava... - Toque o berrante ponteiro, lá na frente tem encruzilhada! E assim fui tocando a vida... Montado no lombo de um cavalo, tocando boiada. E a tal felicidade; Nunca soube onde morava... Só quando a morte me buscou; Foi que eu pude perceber; Que a felicidade que eu tanto busquei; Estava o tempo todo ali; Eu que não queria ver... A amiga morte me mostrou; Que a felicidade me visitou; Eu que não a deixei entrar... Veio no canto dos passarinhos... Veio na brisa fresca da manhã... Veio na moda de viola... Veio na caneca de café quentinho... Veio no toque do berrante; Que cortava o horizonte. Foi nessa vida que aprendi essa lição; A felicidade está em todo lugar, Basta abrir o coração. Pois agora do lado de cá; Continuo sendo peão; Montando em meu cavalo; Sempre pronto a ajudar. Quando precisar de um amigo; Pode contar comigo; É só me chamar... Montado em meu alazão; Corto toda a imensidão; Na velocidade de uma bala. O meu nome eu vou dizer; Pra nunca mais se esquecer; Sou Boiadeiro Navizala!

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