Ante tamanha beleza


E antes de tudo o mais olhou ao redor, e não tendo visto nada além de si, proclamou: "Eu sou"; e este foi o primeiro nome.


No princípio não era o verbo, era o inefável, o inominável, o infinito que o antecede, a eternidade, o que é, foi e será: "Eu sou"


Depois, vieram muitos outros nomes, e deuses e titãs e anjos e demônios e homens e animais... mas, até este dia, e todos os dias, não há noite em que não se lembrem daquele que antes de tudo os imaginou (isto ocorre pouco antes de fecharem os olhos); e então tudo é sonho, tudo bruma e escuridão.


Até que surge a manhã seguinte, e quando eles despertam e olham ao redor, ante tamanha beleza, todos brevemente se esquecem da angústia da separação; e então tudo ainda é sonho, tudo luz difusa sob um véu de ilusão.


Sim, é justamente assim que tem sido, e será para sempre!


Eu gostaria de poder explicar melhor, mas tudo isso por aqui, todas as palavras, ainda que impressas em sangue, são tão somente as cascas que restaram dos frutos que só podem ser colhidos das árvores proibidas... para saber mais é preciso queimar, é preciso arder sob o véu, é preciso morrer para si, e renascer na imensidão.


Fonte: http://textosparareflexao.blogspot.com/

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