Amar o Deus Humano ou o Deus Inefável?


Você já parou para refletir sobre Deus? Basicamente, existem duas visões, duas formas de entender Deus que parecem ser, à priori, conflitantes.


O Ser Humano tende a entender, ou a crer se preferirem, em Deus hora humanizado, numa visão antropomórfica, ora Inefável, abstrato, onipresente.


Desta forma, uns O amam como a um parente próximo ou um amigo pessoal, enquanto outros o amam como sendo O Todo, presente em Tudo.


E será que existe uma forma correta de amá-LO? Será que Ele tem preferência?


Refletindo nesse conflito entre perceber a Deus como um ser pessoal ou impessoal, o interessante é que há milênios atrás o próprio Bhagavad Gita falava precisamente disto no início do Cap. 12 (a tradução é de Rafael Arrais, a partir da versão inglesa de Sir Edwin Arnold; no diálogo Arjuna representa o homem e Krishna, o ser divino):

Arjuna perguntou: "Daqueles devotos que desejam alcançar o seu refúgio, qual deles são os melhores yogis, os que meditam e se conectam ao seu aspecto pessoal e manifesto, ou aqueles que focam a sua mente em seu aspecto universal e sem forma definida?" (12.01)


Lorde Krishna disse: "Considero os melhores yogis aqueles que me amam como um aspecto pessoal, com intimidade e familiaridade, pois esses terão maior facilidade em me imaginar ao seu lado." (12.02)


"No entanto, aqueles que me amam como o absoluto, inefável, onipresente, indiviso, manifestado não somente numa pessoa, mas em todo o universo, infinito e eterno, o uno em tudo, se eles mantêm o seu ânimo inabalado em todas as circunstâncias da vida, se respeitam todos os seres e colaboram para o bem estar da sua vizinhança, se são capazes de compreender que a minha substância preenche a tudo o que há, foi ou virá a ser, eles também alcançarão o meu refúgio, ó príncipe." (12.03-04)


"O caminho para a autorrealização é muito mais árduo para aqueles que me imaginam como o absoluto e sem forma definida, pois que a concepção do que é eterno e infinito é algo muito complexo para uma mente finita que viaja junto ao fluxo do tempo." (12.05)


"Mas aqueles que me imaginam em meu aspecto pessoal, me amam e adoram, dedicam a mim todas as ações de suas vidas, e sempre meditam em mim como o seu alvo mais elevado, eles me alcançarão mais facilmente, ó Arjuma, e eu os salvarei do oceano das mortes e renascimentos." (12.06-07)


Que cada um possa decidir por si mesmo de que forma deve amar a Deus, sem essa de jeito certo ou errado. Afinal, como nos diz Jalal ud-Din Rumi, o poeta sufi persa do séc. XIII, em um dos seus belíssimos poemas:


"Além das ideias de certo e errado, há um campo. Eu lhe encontrarei lá."


"Quando a alma se deita naquela grama, o mundo está preenchido demais para que falemos dele. Ideias, linguagem, e mesmo a frase “cada um” não fazem mais nenhum sentido."



Fonte: http://textosparareflexao.blogspot.com/ (adaptado)

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