A sala de Espelhos


Vivemos todos como se estivéssemos dentro de uma sala de espelhos. Todos os dias acordamos e dormimos olhando para nosso umbigo, nos sentindo protegidos do mundo, pois não no damos conta das diferenças que permeiam a vida humana. Suas cores, raças, credos, jornadas. Passamos a vida olhando o outro com régua nas mãos e no coração, medindo a tudo e a todos conforme nosso ego e colocando nossa vida como exemplo, ainda que não seja! Caminhamos nos achando os seres mais importantes do mundo e sequer nos damos conta de que a maior lição que a vida nos dá é percebermos que nada é por nós, que não valemos pelo que temos ou somos, mas pelo que fazemos aos nossos irmãos que encontramos no caminho. Nossa vida vale pelo peso que temos na vida do outro, não pela quantidade de “tesouros” que juntamos durante a jornada. A sala de espelhos onde nos colocamos seguros para ver o mundo “de fora” um dia quebra em milhões de pedaços e muitas vezes ainda em nosso desespero por não conseguir ver o mundo fora dessa caixa, ficamos no chão juntando pedaços e querendo colá-los para nos manter no cômodo e confortável, assim não temos que mudar, ou ainda, nos “juntar” ao resto do mundo, olhando de frente os olhos dos quais tanto se fugiu, afinal na sala de espelhos o único reflexo é o nosso mesmo e o mundo gira em torno do umbigo, centro da galáxia chamada ego. Precisamos ter a coragem de permitir que todos os espelhos quebrem e se espalhem, permitindo assim percebermos nosso real valor, nossa real aparência através dos olhos e dos corações dos irmãos. Precisamos nos render. É na rendição que encontramos nossa força, nossa potência, nossa capacidade de transformação. É na rendição que ajoelhamos e é nessa entrega que nossa alma percebe que nada está fora e que, apesar de ser tudo dentro, nada é sobre nós individuo, mas tudo é sobre NÓS GRUPO. Tudo o que faço reverbera, tudo o que penso reverbera, tudo o que sinto reverbera, tudo o que sou reverbera e se completa na onda energética dos que encontramos e assim os fios vão tecendo a teia de nossa vida. Render-se é se colocar a disposição do universo para que ele nos guie e nos leve aos locais que seremos úteis e onde certamente veremos vários reflexos de nós mesmos, nos olhos daqueles que forem tecendo conosco o caminho. Todos os seres que nos tornam quem somos. Todas nossas relações. Permitir que a sala de espelhos se quebre e render-se ao caminho é certamente a parte mais difícil da jornada, é o primeiro passo. Como uma ave que precisa sair do ovo para poder sozinha vir ao mundo e aos poucos, pena após pena vai fortalecendo as asas até poder se jogar e voar. Sair da sala de espelhos é sair da casca do ovo e olhar a vida fora dela, é fortalecer as asas. Precisa apenas dar o primeiro passo. O resto a vida se encaminha de mostrar, de trazer e de levar.....há espinhos....mas há rosas e perfumes e muitos outros reflexos par se conhecer além do próprio umbigo! Crescer vale a pena e voar, mais ainda! Permita-se quebrar sua sala de espelhos e ver muito além de seu próprio reflexo, ver o divino que habita em cada olhar!

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