A Luz de Oxalá


Estava eu sendo atraído através da volitação para a beira do mar quando, de repente, fui “aterrisado” na orla marítima.

À minha frente havia dezenas de pessoas com roupas do dia-a-dia e outras, em quantidade maior, vestidas com roupas brancas .

Devo confessar que esta cena chamou profundamente a minha atenção e que, justamente por este fato, eu procurei me aproximar das pessoas em questão; no entanto, antes de dar o meu primeiro passo, uma voz em minha mente, que eu já reconhecia como pertencente ao Senhor Sete Estrelas, resolveu passar algumas determinações:

— Saravá, companheiro.

— Salve vossa força Senhor Caboclo.

— Hoje você está aqui nesta noite para observar situações onde, como já lhe disse certa vez, falar é prata e calar-se é ouro. Procure então não fazer muitas perguntas e ater-se em observar tudo àquilo que lhe for possível e útil para sua evolução.

— Sim senhor!

— Então comece já a fazer suas observações por que às quatro horas da manhã, ou seja, daqui a exatas duas horas, todo este trabalho deverá estar chegando ao fim. — Sim senhor, mas é que antes eu gostaria de fazer-lhe algumas perguntas.

— Ocorre que, como acabei de lhe dizer, se lhe respondesse sua pergunta agora estaria dando prata para sua evolução e não ouro é isso que você deseja?

— Não senhor.

— Não se preocupe que no término de sua tarefa esta noite, se você possuir alguma dúvida eu, de acordo com minhas possibilidades e com seu merecimento, procurarei esclarece-la. Tudo bem?

— Sim senhor!

— Então vá e dê início à sua tarefa.

Assim, lá fui eu fazer minhas observações e devo ressaltar que o fato que mais me chamou a atenção foi a percepção de que todas as pessoas vestidas de branco encontravam-se de costas para o mar e eqüidistantes umas das outras por aproximadamente 1,5 metros, já as pessoas trajando roupas do dia-a-dia estavam, cada uma delas, na frente de uma pessoa vestindo branco e também eqüidistantes entre si pela mesma distância. Na realidade eram tantas pessoas que, olhando dali onde eu estava a sensação era de que o perfilamento destas pessoas era infinito.

Não sei o motivo, mas tive a impressão de que as pessoas vestidas de branco eram espíritos de médiuns encarnados que estavam ali presentes à beira mar para fazer a caridade junto às pessoas que trajavam roupas do dia-a-dia.

Após esta minha conclusão, procurei me aproximar da pessoa vestida de branco ( pertencente ao sexo masculino ) que se encontrava mais perto de mim por notar que, pela movimentação que estava acontecendo, os atendimentos já estavam próximos de se iniciarem.

Digo isto pelo fato da pessoa vestida de branco que dentre eles aparentava ser a de maior idade ter tomado quase uma dezena de passos para trás, levantado a mão e solicitado atenção como se fosse fazer algum tipo de pronunciamento.

Ao perceber que isto realmente aconteceria, eu procurei voltar toda a minha concentração para a pessoa que pedira atenção e, desta forma, pude escutá-la dizer mentalmente:

“ Amados irmãos falangeiros do Divino Pai Oxalá, estamos aqui neste fim de noite com a permissão do Divino Pai Olorum, com o intuito de estarmos tentando promover, na vida de todos estes líderes religiosos aqui presentes e dessas pessoas ligadas diretamente a eles em suas divinas tarefas de propagarem a fé, a transmutação de conceitos errôneos em idéias divinas que os ajudem a superar as dificuldades que encontram em seus templos para que, assim, eles possam cada dia mais serem verdadeiros pastores a guiarem seus rebanhos.

Peço a todos muito carinho e determinação nesta tarefa que nos foi concedida pela Sabedoria Divina.

Que Deus abençoe a todos nós!!!”

Ao escutar o homem de branco terminar a sua prédica eu me encontrava com mais dúvidas que respostas. Sim porque se ele chamou a todos os seus companheiros de branco de falangeiros de Oxalá e isto só poderia significar que eles não eram médiuns encarnados, mas sim entidades espirituais atuantes na falange de Pai Oxalá, mas que entidades seriam estas? Caboclos?

Lembrei-me então do conselho do Senhor Caboclo Sete Estrelas e procurei guardar a “prataria” das minhas dúvidas e correr atrás de minhas “douradas” observações. Continuei a aproximar-me, assim, da entidade que estava mais próxima a mim e procurei ouvir seu diálogo.

— Salve Jesus, filho. O que lhe trouxe até aqui nesta noite?

— Antes, eu poderia saber o seu nome?

— Joaquim.

— Olhe Joaquim eu estou aqui esta noite pelo fato de ter inaugurado um templo protestante há sete meses e, até agora, ter poucos freqüentadores e poucos fiéis. Para resumir, eu posso lhe dizer que abri este templo por orientação Divina e não entendo o porquê desta situação estar ocorrendo no templo. Estou a ponto de encerrar as atividades.

— Entendo.

— O que você poderia fazer para aumentar o número de fiéis?

— Pouca coisa.

— ???

— Responda meu amigo, quantas pessoas você acha que escutavam as pregações de Jesus logo assim que ele iniciou este ministério?

— Não sei dizer.

— Pois eu lhe digo que o número de pessoas era infinitamente menor do que quando ele fez o afamado e divino Sermão da montanha.

— Verdade?

— Certamente. Sabe por quê?

— Não.

— Por que Deus é sábio e nada na natureza acontece aos saltos. Jesus iniciou suas pregações falando a poucos e somente quando sua fama se espalhou, e por que lhe era chegada à hora, foi que aumentaram o número de ouvintes de suas pregações.

— Entendo.

— Entretanto, sua fama não correu boca a boca porque ele possuía intenções de ter uma multidão de ouvintes, mas sim porque ele amava tanto a Deus e a sua criação que desejava que tantos quantos estivessem a sua volta pudessem beber da fonte da água viva deste seu amor. Era tanto o amor irradiado por Jesus que até mesmo quando ele falava de coisas grandiosas como montanhas ou sobre coisas pequeninas como grãos de areia os seus ouvintes podiam facilmente sentir este amor e procuravam segui-lo e acompanha-lo onde quer que ele estivesse para que, assim como ele, pudessem ser inundados por este amor às coisas de Deus e congregar-se em torno da fé. Entende?

— Sim.

— A ajuda que posso lhe ofertar não é prometer-lhe o aumento do número de freqüentadores de sua instituição religiosa, mas sim transmutar esta sua crença num grande número de fiéis pelo aumento do seu sentimento de fé no Divino Criador, pois quanto mais fé você possuir, maior será a quantidade de pessoas que procurarão encontrar-se ao seu redor, não porque seu templo é aconchegante ou luxuoso, mas pelo motivo que toda pessoa deve procurar uma instituição religiosa: alimentar o divino sentimento de fé. Entenda que só quem tem, possui verdadeiras condições de doar. Você deseja este auxílio no sentido divino da fé?

— Sim.

— Então se concentre companheiro.

E, dizendo isto, a entidade fechou os olhos e esticou os seus dois braços à frente, ficando com as palmas das mãos voltadas em direção ao consulente. Neste exato instante eu pude observar uma cruz de cor dourada brilhar na fronte da entidade, assim como também pude ver, simultaneamente, uma intensa claridade na coloração branca sair de seu peito e fluir pelos braços até concentrar-se nas palmas das mãos; e foi neste momento que a entidade as depositou na cabeça do consulente e este, após breves instantes, começou a estremecer todo o seu corpo e soltou um profundo suspiro para, logo após, sumir de minhas vistas.

Eu, então, ainda meio tonto com o que acabara de presenciar e procurando calar as minhas dúvidas, andei um metro e meio a minha frente com o intuito de observar o diálogo de uma outra entidade com um outro líder religioso e, assim, aprender um pouco mais sobre esta linda tarefa de praticar a caridade. O dialogo estava prestes a se iniciar:

— Salve Jesus, filho.

— Salve.

— Meu irmão, você não precisa dizer nada. O que mais o está afligindo há mais de três semanas e esta dor na coluna que nenhum médico da terra consegue sanar, não é verdade?

— É.

— E com este problema você não tem conseguido chefiar os trabalhos na instituição religiosa onde você é sacerdote, correto?

— Sim.

— Você não tem conseguido nem mesmo dormir direito, certo?

— Certo.

— Olhe irmão, esta dor na coluna é fruto de uma ativação negativa que fizeram contra você. Daqui onde estamos não posso resolver o seu problema, entretanto posso energizá-lo e fazer com que esta dor desapareça por sete horas, está entendendo?

— Sim.

— Nessa energização que eu farei contigo, além do alívio da dor, eu também estarei banhando o seu cérebro com a energia ordenadora a fim de que você, ao despertar, possa, enfim, escutar os conselhos de sua vizinha, transmutar seus conceitos equivocados relacionados a fé e procurar a instituição religiosa que é freqüentada por ela. É lá que eu vou poder, de fato, auxiliar meus companheiros a desmanchar este feitiço. Aceita meu auxílio?

— Certamente.

— Então se concentre.

E, dizendo isto, esta entidade, assim como a anterior, fechou os olhos e esticou os seus dois braços à frente, ficando com as palmas das mãos voltadas em direção ao consulente. Neste instante eu também pude observar uma cruz de cor dourada brilhar na fronte da entidade, assim como também pude ver, simultaneamente, uma intensa claridade iluminar todo o seu peito, a diferença é que desta vez, ao invés de branca, a coloração que saia do peito da entidade e fluía pelos seus braços até concentrar-se nas palmas de suas mãos era azul escuro; e foi precisamente quando suas mãos estavam iluminadas com esta cor que a entidade as depositou na cabeça do consulente e este, após breves instantes, começou a estremecer todo o seu corpo e soltou um profundo suspiro para, logo após, sumir de minhas vistas. Eu, então, andei mais um metro e meio a minha frente e pude presenciar um novo dialogo com novos personagens:

— Salve Jesus filho. Em que eu poderia auxiliá-lo?

A entidade fizera a pergunta, mas não obtivera a resposta: é que o consulente estava profundamente calado e com os olhos voltados para baixo. A entidade espiritual, assim, buscou retomar o diálogo.

— Não precisa se preocupar companheiro, o seu tormento está acabado.

Neste exato instante o consulente levantou a cabeça e, olhando a entidade diretamente nos olhos, resolveu responder alguma coisa:

— Você diz isto por que não sabe pela dificuldade que estou passando!

— A qual dificuldade você se refere, ao flertes sensuais constantes que você vem sofrendo por parte da melhor amiga de sua esposa?

— Então você sabe.

— Sei disso e também que já há muito tempo você vem pedindo a Deus que traga alguma benção na sua vida e lhe resolva este problema, certo? — Certo.

— Na verdade, meu irmão, você pode até não estar, e eu entendo, mas eu estou imensamente feliz com a ocorrência de toda esta situação.

— Por quê?

— Por dois motivos: o primeiro é que apesar desta situação acontecer por quase um ano e da extrema beleza e formosura da melhor amiga de sua esposa você, devido a sua imensa fé em Deus, conseguiu resistir à tentação integralmente. — E o segundo motivo?

— O segundo motivo me dá tanta alegria quanto o primeiro, ou seja, você resistindo à tentação, conseguiu vencer a sua provação e adquiriu mais créditos junto ao Divino Criador.

— Verdade?

— Certamente. Daqui a uma semana vai fazer um ano que começou este assédio, certo?

— Correto.

— Então, este era o tempo exato de sua provação. Daqui a exatos sete dias a melhor amiga de sua esposa receberá o convite para ser sacerdote de uma nova congregação e irá aceitar o convite, acabando, assim, com este tormento.

— Graças a Deus.

— Louvado seja Deus, bendita seja a hora em que Jesus nasceu.

— Muito obrigado.

— Eu é que lhe agradeço.

— Mas por quê?

— Pela oportunidade de estar praticando o amor fraterno e incondicional, entretanto...

— ... o que foi?

— Ainda faltam sete dias para terminar sua provação. Você me permite estar realizando uma tarefa afim de que sejam geradas novas forças e determinações em seu nobre propósito de resistir às tentações?

— Com certeza.

— Então se concentre.

E, dizendo isto, esta entidade, assim como a anterior, também fechou os olhos e esticou os seus dois braços à frente, ficando com as palmas das mãos voltadas em direção ao consulente. Neste instante eu também pude ver uma cruz “acender” na fronte da entidade, assim como também pude ver, simultaneamente, uma intensa claridade iluminar todo o seu peito, a diferença é que desta vez a coloração que saia de seu peito e fluía pelos braços até concentrar-se nas palmas das mãos era azul claro; e foi no exato momento que suas mãos se iluminaram com esta cor que a entidade as depositou na cabeça do consulente e este, após breves instantes, começou a estremecer todo o seu