Filamentos


Quem saberá dizer qual foi a primeira semente a brotar nesta terra? Ela, a semeadora dos verdes mundos, dos infindáveis filamentos de caules e galhos e monumentais troncos a estender suas pontas de dedos aos céus. Quem os terá chamado?


Por dentre suas cascas fechadas ou rompidas há legiões de armadas de pequeninas criaturas vivendo do mais puro instinto. Tudo o que elas querem: "Açúcar! Dai-nos o seu açúcar ó torre celeste!" Mas quem ofertou todo o açúcar do mundo, e quem continua sua doação perene, é o Senhor do Alto, da Luz e do Calor, o Sol Invisível e Invicto, que tais insetos ainda nem sonham em conhecer. E, ainda assim, todos seguem o seu chamado...


Que vida inefável é essa que os braços de madeira buscam em toda Primavera desde o início deste mundo? Seria ela também seduzida, como nós, pelas infindáveis flores, nas mais variadas cores e perfumes, e pelos suculentos frutos, nos mais saborosos sabores, que os filamentos estendem ao Alto como oferenda e sacrifício?


E nós aqui, emaranhados nas raízes, na escuridão úmida dos filamentos de Abaixo, teremos a mais vaga ideia do que ainda nos espera?


Ó, irmãos da Terra, não se prendam ao tempo passageiro do que transita entre estações. Há filamentos que viram o nascer e a derrocada de vastos impérios de homens que quase nada percebiam, quase nada sabiam ou sentiam em seus corações terrosos. Ó, irmãos da Terra, sorvam esta seiva de Vida, cresçam e floresçam, e cantem lá fora que nós fomos chamados ao Alto; Sim! Chamados ao Alto!


Fonte: http://textosparareflexao.blogspot.com/

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