A Magia e as Religiões


Um assunto que sempre desperta polêmica e rende acaloradas discussões no meio ocultista, diz respeito à existência, ou não, das chamadas "cores" na Magia. Magia Negra, Magia Branca, Magia Cinza, Magia Vermelha. Várias são as classificações que seguem, invariavelmente, um determinado paradigma baseado nas - não menos polêmicas - definições de Bem e Mal.


Alguns dos defensores da classificação da Magia em "cores" argumentam que a Magia deve ser assim classificada de acordo com o resultado alcançado, enquanto outros defendem que, independente do resultado efetivamente alcançado, a Magia será de uma ou outra cor conforme a intenção do magista.


Por sua vez, há os que alegam que a Magia é algo muito maior e antecedente à sua utilização prática por este ou aquele mago e que não há que se falar em classificação, independente do resultado ou da intenção, sendo estas questões atadas à visão dualista e maniqueísta da realidade.


De minha parte, gosto de acreditar no conceito de que a arte de provocar mudanças na realidade através da vontade é, antes de tudo, algo inato ao espírito humano, herança divina de nossa criação sendo esta, a Magia, exercida de modo consciente (por aqueles que se dedicam ao seu estudo e prática) ou inconsciente, por pessoas normais no seu dia-a-dia e, principalmente, por religiosos no contexto da fé que professam.


Sendo assim, e mesmo reconhecendo muitas vezes o mau uso que o ser humano costuma fazer de seus dons, prefiro crer que a Magia, bem como as Religiões, podem - e devem - ser caminhos a conduzir o Homem ao seu destino fatal e inevitável que é a iluminação.


Diante do rancor suscitado pelo fanatismo que tais discussões mágicas e religiosas despertam, prefiro ficar com as palavras de Franz Bardon, considerado por muitos como um grande Mago "Branco" - o que não impediu que fosse preso e assassinado pelo Regime Nazista:


"Um mago deve agir de modo amável, prestativo a solidário, generoso a respeitoso, discreto a silencioso. Deve estar livre de egoísmo, orgulho e ganância. Essas paixões se refletiriam no Akasha, a como o princípio do Akasha contém a analogia da harmonia, o próprio Akasha colocaria obstáculos no caminho do mago impedindo a sua evolução, ou o que é pior, tornando-a impossível. Um Progresso posterior estaria então totalmente descartado. É só nos lembrarmos do livro de Bulwer, "Zanoni", no qual a guardiã da fonte nada mais é do que o Akasha, que impede o acesso dos grandes mistérios aos impuros a imaturos. Mesmo se eles o conseguirem, então o Akasha tentará transformar tal pessoa, deixá-la ser dominada pela dúvida, ou prendê-la a um golpe do destino, para proteger os mistérios de todas as formas possíveis. A um imaturo os mistérios permanecerão sempre ocultos, mesmo se forem divulgados em centenas de livros.


Um mago verdadeiro desconhece o ódio religioso ou sectário; ele sabe que toda religião possui seu sistema específico que levará seus devotos a Deus, por isso ele a respeita. Ele sabe que toda religião tem erros, mas ele não a julga, pois cada dogma serve ao estágio de maturidade espiritual de seu adepto. Através da sua evolução o mago passará a ser suficientemente maduro a ponto de enxergar com sua visão espiritual todos os pensamentos, todas as ações, todas as atitudes, relativas ao passado, ao presente ou ao futuro; ele sempre será tentado a julgar o seu semelhante.


Mas com isso ele poderia contrariar as leis a provocar uma desarmonia. Um mago desse tipo não possui maturidade suficiente e perceberá que o Akasha anuviará a sua clarividência e o Maya o atormentará com ilusões. Ele precisa saber que o bem e o mal têm direito à existência a que cada um tem uma missão a cumprir. Um mago só poderá chamar a atenção de uma pessoa ou julgar seus defeitos a fraquezas quando convocado diretamente para tal, a deverá fazê-lo sem colocar nisso uma crítica. O mago autêntico aceita a vida como ela é, o bem lhe traz alegria e o mal lhe traz o aprendizado, mas ele nunca se deixa abater. Ele conhece as próprias fraquezas a se esforça em dominá-las. Jamais cultivará o arrependimento ou a culpa, pois estes são pensamentos negativos a portanto devem ser evitados. É suficiente que ele reconheça seus erros a não os repita novamente."*


* Do Livro Iniciação ao Hermetismo



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